segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Pedro Páramo - Juan Rulfo

Retirei algumas citações interessantes do livro que acabei de ler, Pedro Páramo, do escritor mexicano Juan Rulfo. Obra cuja estrutura "caótica" nos faz "afiar" os olhos para que se torne possível entender o que se passa. Os flash-backs são constantes e se não se atentar fica difícil saber de quem é a próxima fala. Além disso, não se sabe quem está vivo e quem está morto, ao mesmo tempo em que se tem um diálogo aparentemente normal, essas pessoas podem estar a conversar já enterradas de dentro do caixão! É surpreendente!

“Aquilo está sobre as brasas da terra, na própria boca do inferno. E posso até lhe dizer que muitos dos que morrem por lá, ao chegarem ao inferno, voltam pra buscar o cobertor.” 

“Senhor, você não existe! Eu pedi a você proteção para ele. Que cuidasse dele pra mim. Isso eu pedi a você. Mas você só se ocupa com as almas. E o que eu quero dele é o corpo. Nu e quente de amor, fervendo de desejo, esmagando o tremor dos meus seios e dos meus braços. Meu corpo transparente pendurado no seu. Meu corpo leve, seguro e solto por suas forças. O que é que vou fazer agora com os meus lábios sem a sua boca para enchê-los? O que é que vou fazer dos meus lábios doloridos?” 

“Seus lábios estavam molhados, como se o orvalho tivesse beijado”.

“Faltava muito para o amanhecer. O céu estava cheio de estrelas, gordas, inchadas de tanta noite. A lua saíra por um momento e fora embora logo. Era uma dessas luas tristes que ninguém olha, a que ninguém liga. Esteve um momento ali desfigurada, sem trazer nenhuma luz, e depois foi-se esconder atrás dos morros.” 

 

1 comentários:

Luigi Ricciardi disse...

É. As conversas dentro dos túmulos eram as mais loucas e confusas. A lamúria dos outros mortos que incomodavam o sono de alguns, etc. Os trechos que você retirou são líricos e belos. Mas o que realmente impressiona em Pedro Páramo é realmente a linha inexistente que separa os vivos dos mortos. Sem falar na caos que é o foco narrativo, que muda constantemente.
Livro que deve ser leitura obrigatória para qualquer amante de literatura.

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Maringá, Paraná, Brazil
Marco Hruschka é natural de Ivaiporã-PR, nascido em 26 de agosto de 1986. Morou toda a sua vida no norte do Paraná: passou a infância em Londrina e desde os 13 anos mora em Maringá. Sempre se interessou em escrever redações na época de colégio, mas descobriu que poderia ser escritor apenas com 21 anos. Influenciado por professores na faculdade – cursou Letras na Universidade Estadual de Maringá – começou escrevendo sonetos decassílabos heroicos, depois versos livres, contos, pensamentos e atualmente dedica-se a um novo projeto: contos eróticos. Seu primeiro poema publicado em livro (Antologia de poetas brasileiros contemporâneos – vol. 49) foi em 2008 e se chama “Carma”. De lá para cá já, entre poemas e contos, já publicou mais de 50, não apenas pela CBJE, mas também em outras antologias. Em 2010 publicou seu primeiro livro solo: “Tentação” (poemas – Editora Scortecci). Em 2014, publicou “No que você está pensando?” (Multifoco Editora), livro de pensamentos e reflexões escrito primordialmente no facebook. É professor de língua francesa e pesquisador literário.

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