segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Estratégias de sedução - Fabrício Carpinejar



A mulher tem uma manha terrível, um ardil implacável de sedução. Qualquer macho sucumbe. Qualquer. Pode ser um diplomata, um gari, um doutor pela Sorbonne XXXV, um eletricista. Não foi criado um sistema de proteção; ainda somos presas fáceis.

É quando ela sussurra no ouvido que está sem calcinha. Mesmo que seja uma mentira, funciona. O sujeito engasga, extravia a linha de raciocínio, logo baba, perde a língua em ataque epiléptico. Experimentará um transe messiânico, tonteado com a revelação. Trata-se de um convite? Quem diz que não é maldade?

Toda mulher fala que está sem calcinha rindo, o que irrita sua vítima. O barbado buscará se certificar, espiando os joelhos, reparando nas dobras, com os olhos vidrados de um tarado. Não acreditará no milagre. Cometerá uma gafe, um escorregão, derrubará a cerveja na roupa, tropeçará no cadarço, praticará algo idiota como encará-la para avisar que irá ao banheiro. E voltará do banheiro duas vezes idiota porque ela sequer se levantou da cadeira.

É uma confidência imbatível que somente as mulheres têm direito. Se o homem declara que está sem cueca vai sugerir – no máximo – que é um porco. Não será nem um pouco excitante.

Mas, após décadas de experimento, desvendei uma estratégia masculina de efeito semelhante. Não faço churrasco, nunca convidei amigos para uma carne no final de semana. Meu pai se separou cedo da mãe e não me transmitiu o legado e a arte do sal grosso. Azar, não há churrasqueira que não sirva de lareira.

O que não abro mão é de comprar o saco de carvão no mercado. Nenhuma fêmea resiste a um homem carregando um saco de carvão. Com os dedos sujos de graxa. Apanhando a argola de papel com desleixo. Como se não fosse pesado.

Num único lance promocional, é oferecer as fantasias eróticas de mecânico e de peão. É mais imbatível do que escolher carne no açougue. Mais imbatível do que recusar a carne no açougue (a maior parte dos clientes discorda do açougueiro para se exibir ao mulherio).

Atravessar os corredores de laticínios e refrigerantes com um saco de carvão representa a suprema glória viril. Supera o óleo nos bíceps dos halterofilistas. É reconquistar o fogo. É se fardar completamente ao sexo.

Não precisa ser musculoso, apenas desalinhado. A cena depende de preciosos detalhes. Suje a calça na hora de pagar e não dê bola para mancha, provando que estaria disposto a rolar num barranco. Largue o pacote na esteira com um estrondo, para impor passionalidade. E pague com um maço bêbado de notas, retirado do bolso da frente. Não tire a carteira sob hipótese nenhuma, que seria uma atitude educada e fria.

Todo domingo, repito esse ato sagrado. Tenho um estoque de sacos no porão. É meu jeito de estar sem calcinha.
terça-feira, 17 de agosto de 2010

Filme: O leitor

Ontem, reassisti "O Leitor", filme baseado na obra literária homônima do escritor alemão Bernhard Schlink. Kate Winslet ganhou o Oscar por melhor atriz e o filme conta também com a participação do ator Ralph Fiennes. A citação abaixo me chamou muita atenção, fala do garoto apaixonado Michael Berg, pela sua poeticidade...


Não tenho medo.
Não tenho medo de nada...
Quanto mais eu sofro, mais eu amo...
O perigo só fará crescer o meu amor.
Ele o afiará, perdoará o preconceito..
Serei o único anjo que você precisa.
Você deixará a vida ainda mais bonita do que quando entrou.
O céu a levará de volta, olhará para você e dirá:
"Somente uma coisa pode nos completar.
E esta coisa é o amor..."


(O Leitor)
sexta-feira, 13 de agosto de 2010

No boteco com Carpinejar

Ontem, dia 12 de agosto, Fabrício Carpinejar e Marcelino Freire estiveram em Maringá para participar do projeto "Autores & Ideias" do Sesc. Discutiram sobre o universo da literatura nos microblogs. Depois do encontro fomos todos para um barzinho jogar conversa fora e aproveitar da presença desses dois grandes nomes da literatura brasileira contemporânea. Tive a oportunidade de presentear o Carpinejar com o meu livro de poesias "Tentação" e receber um autógrafo muito bacana no "Canalha!", livro que ganhou o Prêmio Jabuti em 2009. Além de ótimos escritores, são duas figuraças que vale a pena conhecer.

Marco Hruschka
segunda-feira, 2 de agosto de 2010

France, tu me manques!

Posto esta foto e este comentário em homenagem à França, enfatizando a influência que a cultura e a língua tiveram e  têm hoje em minha vida. Estou muito contente com minha profissão. Ser professor de língua francesa é a minha paixão. A foto ao lado foi tirada em Versailles, em 2004, quando tive a oportunidade de conhecer esse país maravilhoso. Estamos no jardim do castelo de Luís XIV, Le Roi Soleil. Como o título da postagem diz, a saudade só aumenta e espero poder voltar a visitar a França novamente. Um abraço aos meus alunos, aos colegas de profissão a e todos aqueles que admiram essa grande nação.

Marco Hruschka

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Maringá, Paraná, Brazil
Marco Hruschka é natural de Ivaiporã-PR, nascido em 26 de agosto de 1986. Morou toda a sua vida no norte do Paraná: passou a infância em Londrina e desde os 13 anos mora em Maringá. Sempre se interessou em escrever redações na época de colégio, mas descobriu que poderia ser escritor apenas com 21 anos. Influenciado por professores na faculdade – cursou Letras na Universidade Estadual de Maringá – começou escrevendo sonetos decassílabos heroicos, depois versos livres, contos, pensamentos e atualmente dedica-se a um novo projeto: contos eróticos. Seu primeiro poema publicado em livro (Antologia de poetas brasileiros contemporâneos – vol. 49) foi em 2008 e se chama “Carma”. De lá para cá já, entre poemas e contos, já publicou mais de 50, não apenas pela CBJE, mas também em outras antologias. Em 2010 publicou seu primeiro livro solo: “Tentação” (poemas – Editora Scortecci). Em 2014, publicou “No que você está pensando?” (Multifoco Editora), livro de pensamentos e reflexões escrito primordialmente no facebook. É professor de língua francesa e pesquisador literário.

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No que você está pensando?
"A vida é um compromisso inadiável" M. H.
"A cumplicidade é um roçar de pés sob os lençóis da paixão." M.H.

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