terça-feira, 29 de setembro de 2009

Versos para um olhar


O olhar é de brisa de primavera
Zéfiro da paz marcando a nova Era
Favos de águas inabitadas
O próprio oceano de sereias encantadas

Dossel de constelações fulgurantes
Licor de sabores inebriantes
Gotas de chuva aromática, estrela diluída
Aura onipresente rainha da vida

Então são olhos de divina esperança
Seiva cristalina em sua própria nuança
Alameda silvestre de espectros diagonais
O famoso olhar de ressaca, querendo sempre mais

Pintura inacabada de traços inexistentes
Cores arco-íris ao paraíso pertencentes
Se as pupilas sibilassem, apolínica seria a harmonia
Íris ofuscantes, o sol a sair da moradia

As lágrimas seriam o maná, bebida sagrada
Bouvelard parisiense de utopia desejada
Fite-me mais uma vez e a paixão fluirá
Seremos fusão de poeta e musa iemanjá

Marco Hruschka
sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Citações


"Não era amor, era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor, era sacanagem. Não era amor, eram dois travesseiros. Não era amor, eram dois celulares desligados. Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo. Não era amor, era melhor." Martha Medeiros (Divã)


"Olharei a tua sombra se não quiseres que te olhe a ti, disse-lhe, e ele respondeu, Quero estar aonde a minha sombra estiver, se lá é que estiverem os teus olhos..." José Saramago (O Evangelho Segundo Jesus Cristo)

"Um homem de verdade ama. Um homem de verdade nada mais tem a dar para sua mulher senão amor. Mas elas não querem amor. Talvez porque... Não sejam mulheres de verdade."
Fábio Lucas Pierini (Eu e Elas)

"Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida. Viver é uma espécie de loucura que a morte faz. Vivam os mortos porque neles vivemos."
Clarice Lispector (Um sopro de vida)

"O presente contém o passado e se auto-elimina a cada instante tornando-se futuro. O que é, era, será. Em que momento o que é foi? Quando foi passa a ser? Quando o que está sendo torna-se será?"
Ignácio de Loyola Brandão (O homem que odiava a segunda-feira)

"Mas, se procuro desse modo aflições fingidas, em compensação encontro, nesse mundo imaginário, virtude, bondade e desinteresse como ainda não achei reunidos no mundo real em que existo. – Aí encontro uma mulher com desejo, sem caprichos, sem leviandade, sem malícia: de beleza não digo nada; pode-se confiar na minha imaginação: faço-a tão formosa que não há mais nada que se possa dizer. Depois, fechando o livro, que já não corresponde às minhas idéias, pego-a pela mão, e percorremos juntos um país mil vezes mais delicioso do que o Éden. "
Xavier de Maistre (Viagem ao redor do meu quarto)

"Em profunda escuridão se procuraram, nus, sôfrego entrou nela, ela o recebeu ansiosa, depois a sofreguidão dela, a ânsia dele, enfim os corpos encontrados, os movimentos, a voz que vem do ser profundo, aquele que não tem voz, o grito nascido, prolongado, interrompido, o soluço seco, a lágrima inesperada, e a máquina a tremer, a vibrar, porventura não está já na terra, rasgou a cortina de silvas e enleios, pairou no alto da noite, entre as nuvens, pesa o corpo dele sobre o dela, e ambos pesam sobre a terra, afinal estão aqui, foram e voltaram."
José Saramago (Memorial do Convento)
terça-feira, 15 de setembro de 2009

Suicídio


Olho para os lados, pedregulho sobre pedregulho
Tento esquivar-me, mais pedras e entulho
Dessa evolução desarmônica não me orgulho
Ahhhh! Não suporto mais esse barulho!

Marretas, martelos, cimento e tormento
Ganha-se um edifício, perde-se um momento
De sossego, ruídos doloridos, já não aguento
Vida insalubre! A natureza chora, lamento!

O ar já não é transparente como outrora
Gris! Onde foi parar toda aquela flora?
Sufoco! Quero sumir, preciso ir embora
Fujam, abriram a caixa de Pandora...

E o mal primeiro é o ser humano
Egoísta, cego de dois olhos, profano
Faz da alienação um pseudo-bom-cotidiano
Cerca-se de muros, é de si o próprio engano

Uma, duas, três construções de pé
Três, duas, uma árvore sequer
O homem vai construindo sua vida de ilusão
E diminuindo o tempo entre si e o caixão


Marco Hruschka
domingo, 13 de setembro de 2009

Citação - Pablo Neruda

Quero apenas cinco coisas... Primeiro é o amor sem fim. A segunda é ver o outono. A terceira é o grave inverno. Em quarto lugar o verão. A quinta coisa são teus olhos. Não quero dormir sem teus olhos. Não quero ser… sem que me olhes. Abro mão da primavera para que continues me olhando. 



sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Sou uma pergunta - Clarice Lispector



Quem fez a primeira pergunta?
Quem fez o mundo?
Se foi Deus, quem fez Deus?
Por que dois e dois são quatro?
Quem disse a primeira palavra?
Quem chorou pela primeira vez?
Por que o Sol é quente?
Por que a Lua é fria?
Por que o pulmão respira?
Por que se morre?
Por que se ama?
Por que se odeia?
Quem fez a primeira cadeira?
Por que se lava roupa?
Por que se tem seios?
Por que se tem leite?
Por que há o som?
Por que há o silêncio?
Por que há o tempo?
Por que há o espaço?
Por que há o infinito?
Por que eu existo?
Por que você existe?
Por que há o esperma?
Por que há o óvulo?
Por que a pantera tem olhos?
Por que há o erro?
Por que se lê?
Por que há a raiz quadrada?
Por que há flores?
Por que há o elemento terra?
Por que a gente quer dormir?
Por que acendi o cigarro?
Por que há o elemento fogo?
Por que há o rio?
Por que há a gravidade?
Por que e quem inventou os óculos?
Por que há doenças?
Por que há saúde?
Por que faço perguntas?
Por que não há respostas?
Por que quem me lê está perplexo?
Por que a língua sueca é tão macia?
Por que fui a um coquetel na casa do Embaixador da Suécia?
Por que a adida cultural sueca tem como primeiro nome Si?
Por que estou viva?
Por que quem me lê está vivo?
Por que estou com sono?
Por que se dão prêmios aos homens?
Por que a mulher quer o homem?
Por que o homem tem força de querer a mulher?
Por que há o cálculo integral?
Por que escrevo?
Por que Cristo morreu na cruz?
Por que minto?
Por que digo a verdade?
Por que existe a galinha?
Por que existem editoras?
Por que há o dinheiro?
Por que pintei um jarro de vidro de preto opaco?
Por que há o ato sexual?
Por que procuro as coisas e não encontro?
Por que existe o anonimato?
Por que existem os santos?
Por que se reza?
Por que se envelhece?
Por que existe câncer?
Por que as pessoas se reúnem para jantar?
Por que a língua italiana é tão amorosa?
Por que a pessoa canta?
Por que existe a raça negra?
Por que é que eu não sou negra?
Por que um homem mata outro?
Por que neste mesmo instante está nascendo uma criança?
Por que o judeu é raça eleita?
Por que Cristo era judeu?
Por que meu segundo nome parece duro como um diamante?
Por que hoje é sábado?
Por que tenho dois filhos?
Por que eu poderia perguntar indefinidamente por quê?
Por que o fígado tem gosto de fígado?
Por que a minha empregada tem um namorado?
Por que a Parapsicologia é ciência?
Por que vou estudar matemática?
Por que há coisas moles e coisas duras?
Por que tenho fome?
Por que no Nordeste há fome?
Por que uma palavra puxa a outra?
Por que os políticos fazem discurso?
Por que a máquina está ficando tão importante?
Por que tenho de parar de fazer perguntas?
Por que existe a cor verde-escuro?
Por quê?
É porque.
Mas por que não me disseram antes?
Por que adeus?
Por que até o outro sábado?
Por quê?

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Maringá, Paraná, Brazil
Marco Hruschka é natural de Ivaiporã-PR, nascido em 26 de agosto de 1986. Morou toda a sua vida no norte do Paraná: passou a infância em Londrina e desde os 13 anos mora em Maringá. Sempre se interessou em escrever redações na época de colégio, mas descobriu que poderia ser escritor apenas com 21 anos. Influenciado por professores na faculdade – cursou Letras na Universidade Estadual de Maringá – começou escrevendo sonetos decassílabos heroicos, depois versos livres, contos, pensamentos e atualmente dedica-se a um novo projeto: contos eróticos. Seu primeiro poema publicado em livro (Antologia de poetas brasileiros contemporâneos – vol. 49) foi em 2008 e se chama “Carma”. De lá para cá já, entre poemas e contos, já publicou mais de 50, não apenas pela CBJE, mas também em outras antologias. Em 2010 publicou seu primeiro livro solo: “Tentação” (poemas – Editora Scortecci). Em 2014, publicou “No que você está pensando?” (Multifoco Editora), livro de pensamentos e reflexões escrito primordialmente no facebook. É professor de língua francesa e pesquisador literário.

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"A vida é um compromisso inadiável" M. H.
"A cumplicidade é um roçar de pés sob os lençóis da paixão." M.H.

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