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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A contrarreforma ortográfica


Marco Hruschka


Caros professores, alunos, amantes de língua portuguesa, ou somente aqueles que se veem obrigados a compreender o padrão culto de nossa língua, teremos de ler e estudar mais algumas horinhas de nossas vidas, horas essas desnecessárias do ponto de vista cultural. Os que não sabem, ainda, perguntam o porquê. Explico-lhes: Querem unificar o português. Dizem que com isso conseguirão globalizar a terceira língua mais falada no Ocidente e que a equipararão à inglesa e à espanhola, que já são unificadas há tempo. Tais mudanças estão relacionadas apenas à ortografia, não envolvem fonética, sintaxe ou outras questões linguísticas.
Até que não seria uma má ideia a unificação do nosso idioma pátrio. Não para aqueles que terão de palestrar dando explicações sobre as mudanças propostas. Ficariam ricos. Ou então para aqueles escritores que precisam vender mais exemplares, tanto de nacionalidade portuguesa quanto brasileira, pois talvez os leitores de Moçambique comprem seu livro, pois agora não há condições de fazê-lo, é impossível saber o que é “enjôo”, “lingüiça”, “heróico” e “acto”.
Olhem pelo lado positivo, teremos mais letrinhas em nosso alfabeto, o “k”, o “y” e o “w”, uma vez que o inglês decidiu não nos abandonar. Não que isso seja ruim, uma língua deve estar em pleno desenvolvimento sempre, então nada mais justo que novas palavras, mesmo que estrangeiras, desde que auxiliem na comunicação. Mas algo me diz que é mais uma prova da dominação e invasão americana sobre nós, que declaramos Independência há anos, aos portugueses, europeus desmiolados, e aos africanos, infelizmente, ainda escravos como dantes.
Tal reforma não é, definitivamente, algo que irá aumentar o status (que me desculpem os puristas pelo estrangeirismo, mas estou sujeito a recorrer-lhe a qualquer momento) de nossa linguagem escrita, é uma mudança “meia-boca”, não unifica coisa alguma e mexe errado em pontos como o acento diferencial. Desejam tirar o acento do verbo “parar” no imperativo, “pára”. Como saberemos se é o verbo “parar” ou a preposição? Ah, você, mestre ou doutor, que me lê, diria: “Saberás pelo contexto!” Tudo bem, é possível. Mas se querem reformar a língua trabalhando nos acentos de forma a conglobá-la, por que não deixam o pobre coitado do acento em “pára”, verbo no imperativo afirmativo de segunda pessoa do singular ou presente do indicativo de terceira pessoa do singular? Qual é o seu defeito? Não é um bom diferencial? É claro que esse é só um exemplo do que poderia ser pensado melhor.
Quanto mais mudanças ocorrerem em nosso idioma, mais longe ficaremos de nossas raízes, que muitas vezes são de extrema importância para o entendimento de um termo, uma vez que o conceito original pode expressar seu significado essencial.
Eliminarão as letras mudas, “c” e “p”, do português de Portugal, como em “facto” e “Baptista”. O escritor prêmio Nobel de literatura, José Saramago, carrega consigo todos esses fenômenos em sua escrita, porém isso não o impediu de ser best-seller no Brasil.
Por que não nos espelhamos na França, berço da cultura europeia e mundial, e respeitamos nossa progênie para, aí sim, alçarmos voo à autonomia de refinamento (mesmo que a mudança não dependa só de nós), e elevarmos o país a um ponto diferente do qual se encontra hoje?!
Lembro-vos que o que foi defendido aqui ainda não é o pensamento daqueles que comandam a nossa língua, pelo menos não o da maioria, então gostaria de pedir-lhes, caros leitores, que não reparem em algumas palavras “estranhas”, ortograficamente falando, acima escritas, trato de me acostumar com a “reforma” ortográfica que em breve poderá dominar o português.

2 comentários:

Laís Carla disse...

Muito bem!!
Não há dúvidas que essa mudança ortográfica exprime toda a politicagem e dominação...
Qual a vantagem para nós, que aprendemos, ou tentamos aprender nossa língua, desde que nascemos?
A única coisa que posso dizer, que é uma unificação sem sentido no momento, e a qual, não estamos preparados para enfrentar...

Luigi Ricciardi disse...

Eu até acho que uma mudança poderia ser benéfica. Mas não dessa forma que estão fazendo. Ao invés de facilitar eles dificultaram tudo.
Bem falou a Laís que a unificação agora é sem sentido. Vamos ver no que isso vai acarretar para nós, falantes de língua portuguesa.

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Quem sou eu?

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Maringá, Paraná, Brazil
Marco Hruschka é natural de Ivaiporã-PR, nascido em 26 de agosto de 1986. Morou toda a sua vida no norte do Paraná: passou a infância em Londrina e desde os 13 anos mora em Maringá. Sempre se interessou em escrever redações na época de colégio, mas descobriu que poderia ser escritor apenas com 21 anos. Influenciado por professores na faculdade – cursou Letras na Universidade Estadual de Maringá – começou escrevendo sonetos decassílabos heroicos, depois versos livres, contos, pensamentos e atualmente dedica-se a um novo projeto: contos eróticos. Seu primeiro poema publicado em livro (Antologia de poetas brasileiros contemporâneos – vol. 49) foi em 2008 e se chama “Carma”. De lá para cá já, entre poemas e contos, já publicou mais de 50, não apenas pela CBJE, mas também em outras antologias. Em 2010 publicou seu primeiro livro solo: “Tentação” (poemas – Editora Scortecci). Em 2014, publicou “No que você está pensando?” (Multifoco Editora), livro de pensamentos e reflexões escrito primordialmente no facebook. É professor de língua francesa e pesquisador literário.

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