domingo, 23 de novembro de 2008

A Hora da Estrela - Clarice Lispector

De vez em quando, pego-me lendo Clarice Lispector. Talvez por lazer, por cultura, por curiosidade...
Eis que li A Hora da estrela! Surpreendi-me. Um livro com uma sensibilidade tamanha, que nos faz refletir sobre o que é a felicidade, o que é o existir em nós mesmos. Selecionei, dentre as inúmeras e maravilhosas citações do livro, algumas que me tocaram com mais força. Reflitamos, vale a pena!


“Eu não sou um intelectual, escrevo com o corpo. E o que escrevo é uma névoa úmida. As palavras são sons transfundidos de sombras que se entrecruzam desiguais, estalactites, renda, música, transfigurada de órgão. Mal ouso clamar palavras a essa rede vibrante e rica, mórbida e escura tendo como contratom o baixo grosso da dor. Alegro com brio. Tentarei tirar ouro do carvão. Sei que estou adiando a história e que brinco de bola sem a bola. O fato é um ato? Juro que este livro é feito sem palavras. É uma fotografia muda. Este livro é um silêncio. Este livro é uma pergunta”.

“Assim como ninguém lhe ensinaria um dia a morrer: na certa morreria um dia como se antes estivesse estudado de cor a representação do papel de estrela. Pois na hora da morte a pessoa se torna brilhante estrela de cinema, é o instante de glória de cada um e é quando como no canto coral se ouvem agudos sibilantes.” 

"Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam."

" - Eu vou ter tanta saudade de mim quando morrer."

"[...] o tudo é um oco nada"

"Se ainda escrevo é porque nada mais tenho a fazer no mundo enquanto espero a morte"

"O pecado me atrai, o que é proibido me fascina."

"Mas quem sabe se ela não estaria precisando de morrer?"

"Eu, que simbolicamente morro várias vezes só parta experimentar a ressurreição."

"A vida é um soco no estômago"

"Então - ali deitada - teve uma úmida felicidade suprema, pois ela nascera para o abraço da morte. A morte que é nesta história o meu personagem predileto."


2 comentários:

Luigi Ricciardi disse...

Carregado de existencialismo. Obra genial. Li pouco de Clarice, uns 4, 5 livros talvez. Mas "A Hora da Estrela" é sem dúvida o mais forte. Quem não se identifica com Macabéia? Não no sentido de parecer com ela, mas ao menos no sentido de compadecimento. Uma figura esquecida e pisada por tudo e todos, e que só teve valor na hora da morte.

Nayara disse...

O livro da Morte, marivilhoso!

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Marco Hruschka é natural de Ivaiporã-PR, nascido em 26 de agosto de 1986. Morou toda a sua vida no norte do Paraná: passou a infância em Londrina e desde os 13 anos mora em Maringá. Sempre se interessou em escrever redações na época de colégio, mas descobriu que poderia ser escritor apenas com 21 anos. Influenciado por professores na faculdade – cursou Letras na Universidade Estadual de Maringá – começou escrevendo sonetos decassílabos heroicos, depois versos livres, contos, pensamentos e atualmente dedica-se a um novo projeto: contos eróticos. Seu primeiro poema publicado em livro (Antologia de poetas brasileiros contemporâneos – vol. 49) foi em 2008 e se chama “Carma”. De lá para cá já, entre poemas e contos, já publicou mais de 50, não apenas pela CBJE, mas também em outras antologias. Em 2010 publicou seu primeiro livro solo: “Tentação” (poemas – Editora Scortecci). Em 2014, publicou “No que você está pensando?” (Multifoco Editora), livro de pensamentos e reflexões escrito primordialmente no facebook. É professor de língua francesa e pesquisador literário.

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