sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Sem-te





No auge da vida, descubro-me inválido...
De uma invalidez ébria e devassa
E sedenta, desprezível porque não posso controlar.
Aqui no peito, apenas o vazio da tua ausência,
Na mente, um turbilhão de imagens desconexas,
No nada, eis-me ali, sangrando amor
Porque já não cabe dentro, porque não há mais alento.
Sou teu escravo, teu criado, teu vassalo,
De mim pra ti devoção, submissão, louvor e canção,
Agora o céu está pesado, escuro, pesadelo em si
A dor já chove, ardência sem chamas em cinzas!
Se eu pudesse não mais sentir... o impalpável,
A tua ausência, sim, a tua ausência!
É o não-estar que me aflige,
O querer-te aqui, o abraçar-te enfim e infinitamente...
Sou a mágoa e a chaga que se alimenta da tua saudade,
Tudo o que escreve é sofrimento, pena banhada na tinta do unguento,
No caixão dos tolos apaixonados espero-te, meu bem,
Mesmo sabendo que não-você é o meu fado
Intransponivelmente eterno daqui para o além...

Marco Hruschka

9 comentários:

Alessandra disse...

Caro amigo, como já lhe disse, esse seu poema é de uma indescritível beleza, forte intenso e incrivelmente triste!

Beijo

Lully

Anônimo disse...

É lindo, como tudo o que você escreve, mas é mais tocante, pq é pra/por mim!

Eu lamento tudo isso que vem acontecendo, demais!

Parece que eu tenho o dom de te inspirar na alegria e, principalmente, na dor! (risos)

Você ainda será reconhecido por teus escritos! Sabe disso, não é?

Parabéns, mais uma vez! :)

beijos
Ass.: EU

Anônimo disse...

P.S.: "Acho q tenho q ser rude mais vezes com vc.. nessas horas vc faz milagre com as letras!"

Guiduran3 disse...

Muito bom, Marco! Queria te fazer uma pergunta: a escrita nunca é de primeira, né? Mas, trabalhar a reescrita também é retrabalhar os sentimentos? Os mais universais, como a saudade, sempre parece que me instigam mais. Me cutucam. Seus versos me cuturam. Talvez seja meu lado nostálgico chamando minhas eternas saudades. Parabéns, menino. Vc manda muito bem com as palavras! ABraço!!

Marco Antonio Hruschka Teles disse...

Oi Guilherme, obrigado por passar por aqui, ler e comentar!
Vou tentar responder as tuas perguntas.
Esse poema foi fruto de um sentimento muito forte que me consumia. Quando escrevo sobre sentimento, eu preciso senti-los em mim. É difícil inventá-los. Mas tem uma elaboração. Depois de "pronto" ainda reli e mudei algumas coisas. Cortei uma rima forçada, primo pela fluência do poema. Mas a cada mudança, é uma revisita aos sentimentos, e cada vez com mais força. Mas meus poemas saem assim, como diria, numa "pegada". E assim, dou um pouco de calma ao que me aflige. E quando alguém se identifica com o que escrevi, tenho meu objetivo cumprido.
Um abraço pra ti!

Aline Anhezini disse...

É incrível o modo como se esvazia em palavras e é incrível poder sentir, e de alguma forma se identificar, com tão fortíssimo,intenso e desesperador sentimento...mas, mesmo sendo tão triste, traz o melhor de você e revela a transformação do sentimento incontido em palavras, algo que fazes indescritívelmente bem...parabéns! Sucesso meu amigo...beijo!

Marco Antonio Hruschka Teles disse...

Oi Aline. Obrigado pelo comentário. Seja sempre bem-vinda por aqui!

Paula Mesti disse...

Professeur, queria não saber que estes sentimentos são reais. Queria conseguir escolher o que sentir. Queria não me identificar com teus versos. Queria não me ver refletida no espelho das tuas palavras.

Queria te parabenizar pela sensibilidade, pela competência em utilizar vocábulos para expressar os sentidos dos sentimentos mais sentidos, mais doloridos.

Obrigada por traduzir o inexplicável, o angustiante, o belo, o eterno...

Marco Antonio Hruschka Teles disse...

Oi Paula. Obrigado por estar "onlinemente" presente no momento da escrita do poema. Obrigado também por lê-lo e comentá-lo aqui no blog. Um abraço.

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Maringá, Paraná, Brazil
Marco Hruschka é natural de Ivaiporã-PR, nascido em 26 de agosto de 1986. Morou toda a sua vida no norte do Paraná: passou a infância em Londrina e desde os 13 anos mora em Maringá. Sempre se interessou em escrever redações na época de colégio, mas descobriu que poderia ser escritor apenas com 21 anos. Influenciado por professores na faculdade – cursou Letras na Universidade Estadual de Maringá – começou escrevendo sonetos decassílabos heroicos, depois versos livres, contos, pensamentos e atualmente dedica-se a um novo projeto: contos eróticos. Seu primeiro poema publicado em livro (Antologia de poetas brasileiros contemporâneos – vol. 49) foi em 2008 e se chama “Carma”. De lá para cá já, entre poemas e contos, já publicou mais de 50, não apenas pela CBJE, mas também em outras antologias. Em 2010 publicou seu primeiro livro solo: “Tentação” (poemas – Editora Scortecci). Em 2014, publicou “No que você está pensando?” (Multifoco Editora), livro de pensamentos e reflexões escrito primordialmente no facebook. É professor de língua francesa e pesquisador literário.

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