sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Língua ligeira

Que língua ligeira,
Que mexe, que gira,
Que sobe, que desce,
Uma arma sem mira...

Que língua ligeira,
De uma cor meio assim:
De pimenta, de fogo,
De sangue, carmim!

Que língua ligeira,
Que mexe, que gira,
Caliente, ousada,
O pecado me inspira.

Que língua ligeira,
Me toma, me mata,
Molhada, matreira,
Sedenta, irada!

Que língua ligeira!


Marco Hruschka
terça-feira, 24 de setembro de 2013

Semitonar-se

Às vezes só os bemóis me acalmam...

Porque no sofrimento semitonado
Encontro a fonte das dores que exalam
Tudo aquilo que não posso suportar.

Existe ali uma angústia...
Algo anterior ao mundo...
Uma coisa que jaz...
E que ao mesmo tempo
Faz com que eu renasça!

O sofrimento é revigorante!

Quem não sofre não é feliz!

Não vejo sequer uma luz ao longe,
Nem perto, nem nunca
E mesmo assim tudo cresce em mim.

Mas a esperança é a primeira que morre.
E é justamente isso que dá sentido
A essa posição fetal na qual eu me encontro.


Me encontro...


A vida é um eterno semitonar.

Marco Hruschka
segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Um poema em cada árvore - Mobilização nacional 2013

Dia 21 de setembro de 2013 será realizado o "Um poema em cada árvore" (Mobilização Nacional), quando acontecerá em 59 (cinquenta e nove) cidades das cinco regiões brasileiras, inclusive em Maringá, uma edição simultânea do "Um poema em cada árvore" - iniciativa de incentivo à leitura que utiliza as árvores como suporte de leitura.

Trata-se de uma Mobilização Nacional em prol do incentivo à leitura, da conquista de novos espaços de fruição poética, ampliação do acesso da população à poesia, divulgação do trabalho de poetas desconhecidos do grande público e contribuição na elevação do índice de leitura em nosso país.

No dia em que se comemora o Dia da árvore, seremos juntos uma rede poetas, educadores, agentes culturais e sociais, cidadãos mobilizados em levar a poesia aonde o povo está.

Compareça! Viva a poesia!


Marco Hruschka
segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Marmitas e andaimes


Aquele homem que ali vai, subindo e subindo
É humilde, é brasileiro, é trabalhador, é sonhador,
Acorda de madrugada em busca do pão de cada dia,
Beija mulher e filhos na esperança de vê-los outra vez.

Estes versos são brancos, como a paisagem que o obreiro vê.
Lá de cima, olhando em frente, vê-se apenas fumaça da cidade,
Mas este obreiro enxerga sonho, futuro, sua visão vai além, tem fé!
Um dia vou construir o que será meu, agora ele sorri, terminara a oração.
                                                                                                                      |a
ordem e progresso                                                                                                                            |n
                 b                                                                                                                          |d
                 r                                                                                                                           |a
                 e                                                                                                                          |i
                                 i                                                                                                                            |m
                         r                                                                                            |e
utopia- alucinação                                                                                                                           |s

Colunas, cimento, cal, carma de todo dia, sol a pino, hora da marmita:
Feijão, arroz, farofa quando há, a água é um milagre, sim, obrigado!
O calor judia e o suor escorre, o sonho sua, seco e salgado, solar!
Vida insalubre, o segundo é valioso, a respiração também, mas

O ar já falta, pois a idade lhe sobra, o andaime, fixo, dança,
Eis a tragédia inevitável, seu corpo é folha seca outonal...
Pobre homem, homem pobre, amanhã não terá o pão,
Comera derradeiramente o que o diabo amassou.

Marco Hruschka
28/06/2010


domingo, 1 de setembro de 2013

A MULHER DE BATOM

O que seria da mulher moderna sem o bom e velho batom? Vocabulário vindo do francês, "bâton", na sua língua de origem indica apenas o formato, ou seja, um bastão. Já o objeto que as mulheres usam para dar um charme a mais em sua maquilagem (e que charme!), na língua de Molière dizemos "rouge à lèvres", ao pé da letra: "vermelho para lábios". Expressão que revela a cor preferida pela maioria das adeptas de uma aparência bem cuidada. E já que citamos os românticos franceses, poderíamos dizer que uma mulher sem batom é como um vinho sem queijo. Sobrevivem um sem o outro, mas se complementam muito bem. Não há nada mais sensual do que uma mulher em frente ao espelho passando seu batom predileto. O olhar oblíquo, insinuante, introspectivo. É, inclusive, um dos momentos mais íntimos para a própria mulher, pois é quando ela pinta os lábios para adornar a alma. A escolha do batom está ligada diretamente ao estado de espírito feminino. É o puro reflexo da fêmea interna de cada uma. É a sua oração antes de sair de casa. Do incolor ao vermelho sangue, da menininha tímida, frágil e carente à mulher sexy, madura e dominadora, cabe a elas a surpresa, a revelação. Além disso, mulher, a sua boca tem o poder de transmitir uma mensagem não apenas pela palavra, pela voz, pelo som, mas também pelo modo sutil ou decidido como passa o seu batom. Tudo influencia, a cor, a textura, o acabamento. Abuse disso. A sensualidade mais aguçada de uma mulher está ao alcance de uma escolha bem feita. 

Marco Hruschka
sexta-feira, 10 de maio de 2013

Reflexão


Marco Hruschka - 10/05/2013 (Texto do livro "No que você está pensando?", que será lançado em breve, aguardem! www.facebook.com/escritormarco)

"Hoje, o facebook é sua identidade. Uma identidade virtual, mas mesmo assim uma identidade. Os dados estão lá. Nome, profissão, parentesco, estado civil. E mais, gostos, influências, onde estive, onde estarei! O seu perfil delimita que tipo de internauta você é. Os seus contatos, quem você é. É como a expressão diga-me com quem andas e eu te direi quem és. Na rede social, seus contatos também são você. No fim das contas, você está todo ali, exposto, investigável. Além disso, os teus likes e comments vão construindo a sua personalidade. E a omissão e / ou ausência deles também. Resumindo, não tem para onde fugir! Cada clique no mouse vai ajudando a formar a sua cadeia de DNA virtual. Tudo o que você posta, curte ou compartilha são novas linhas do livro da sua vida. Isso mesmo! Sem perceber, você está escrevendo a sua autobiografia. Um pouco desordenadamente, talvez inconscientemente e descaprichosamente. Mas mesmo assim você não deixa de fazer parte deste hipertexto que nada mais é do que a sua própria condição neste mundo. E você tem uma obra por finalizar. Caro leitor, você já parou para se perguntar que tipo de internauta / ser humano você é? Inúmeras são as possibilidades. Incontáveis opções de você mesmo. Para finalizar o texto, mas não a reflexão, quem foi que disse que a sua identidade virtual não reflete exatamente quem você é lá no fundo da sua alma?"

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Sobre o escrever



"Para mim, há dois tipos de escrita: o primeiro acontece quando sou tomado por um fenômeno inexplicável, provavelmente vindo de algo, alguém ou algum lugar que ainda não conheço tão bem. Mais conhecido como 'inspiração'! É uma iluminação. Um lampejo. Uma epifania! Tudo corre naturalmente e as letras vão saindo, formando-se palavras, frases, ideias, versos e quando percebo o texto está pronto. É, ao mesmo tempo, excitante e pungente. Sinto-me realizado. É como se a própria Arte, personificada em escritor, resolvesse se expressar por mim. É religioso. O segundo tipo é quando abro aspas e começo o trabalho mais árduo que um escritor pode ter: (tentar) escrever na esperança de que a inspiração, essa entidade mística que acabei de mencionar, me agracie, transformando e elevando o texto ao status de literatura." Marco Hruschka

domingo, 5 de agosto de 2012

Reflexão



"Você pode não acreditar, mas Deus não é um senhorzinho de barba branca sentado em cima de uma nuvem observando cada passo que damos. Se ele é Deus, porque é comum atribuirmos-lhe a imagem de um humano? Ele não é um velhinho esperando uma pisada na bola para nos castigar com sua bengala malévola. Ou ainda um pastor de ovelhas aguardando que façamos uma boa ação para afagar os nossos cabelos. A irmandade é nosso dever e a nossa obrigação. Devemos nos ajudar pela praticidade da ação ou simplesmente pelo sentimento que isso nos causa. Deus também não é alguém que fica mandando e desmandando, manipulando todas as ações dos seres humanos, animais irracionais, plantas e tudo aquilo que ele criou. Não somos marionetes. Somos seres pensantes, independentes e livres (ou pelo menos deveríamos ser). Deus não é um ser vivo. Não em carne e osso, como nós. Deus vai mudar de forma, aparência, substância, cor, tato e conceito dependendo da situação. Ou não vai ser nada disso. Ou tudo ao mesmo tempo. Deus vai ser o que quisermos que ele seja! Poderá ser apenas a nossa consciência perante os vários acontecimentos e obstáculos que temos que superar. Deus será a nossa decisão e a maneira como agiremos com relação a ela pelo resto de nossas vidas. Ele é a nossa moral, a nossa índole e os valores que carregamos conosco pelos meandros da existência. Da mesma forma, é aquele que sussurra aos nossos ouvidos perante uma injustiça. A fagulha que pode alastrar a nossa chama de bondade. É a balança da sociedade, pesando para o bem ou para o mal, dependendo da atitude que tivermos. É o poder dentro de nós! É a nossa atitude frente ao mundo, à natureza, ao semelhante. É o mesmo dedo que aponta o defeito alheio, fragilizando indevidamente aqueles que amamos e o que lhes indica o futuro, o caminho certo a ser trilhado, sem pensar em recompensas. Ele será bom, se formos bons. Deus é o coração de cada um de nós!"  Marco Hruschka
domingo, 29 de julho de 2012

Marco Hruschka declamando poema de Vera Margutti

Dia 28 de julho de 2012, a minha amiga Vera Margutti lançou seu primeiro livro de poemas, "Flores do Coração". Eu tive a oportunidade de estar no lançamento, que por sinal foi muito bonito. Além de um belo coquetel na maior e mais visitada livraria da cidade (Espaço Maringá), o evento contou com declamação de poemas do livro, os quais eu e outro escritor, Junior Franco, além da própria autora, tivemos o prazer de recitar.
Abaixo o vídeo com uma pequena amostra... abraços!


sexta-feira, 27 de julho de 2012

Brasil




Brasil
Cristo
Cristais
De tantas etnias, raças e credos
De tantas paisagens, tantos contornos, sonhos mil, céus azuis, matas verdes e sóis amarelos
Tantos povos, mares esbeltos, sorrisos nos rostos, coragem no peito e amores singelos
O nosso país é assim, hospitaleiro, simpatia por demais
Amizade estampada nos olhos, brilhando nos corais
País da independência
Praias, bela aparência
Águas em abundância
Selvas em verdejância
Gente bonita, vigorosa
Batalhadora, corajosa
Gente que quer vencer
E vive sem muito poder
A maioria do povo daqui
Merece todo o respeito!
Sou patriota com muito
Orgulho e aceito o Brasil
Como a minha vera Terra
Do peito: sou todo mundo!
Sou branco, sou negro, sou bugre
Sou uma linda mistura, de sangue mestiço
Sou mulato, sou cafuzo, todos eles em um
Sou a história dolorida de um povo sofrido
Que experimentou o pão que o diabo amassou
E mesmo assim sorri, a vitória é sim o que sou
 Sou, sem dúvidas, do mundo o povo mais garrido



 Marco Hruschka


quinta-feira, 19 de julho de 2012

Participações em Antologias Literárias

Clique na imagem abaixo para uma melhor visualização.



sábado, 14 de julho de 2012

Oração para o seu amor


"Venha a mim, ó alma encantada, me encha de prazer e rejubilação. Conceda-me a fusão do teu espírito, caia sobre mim em manto sagrado fazendo-me regozijar. Seja a minha proteção e a minha oração de cada dia. Seja o meu amor. Seja a minha fé. Abrace-me como se fosse o último encontro. Beije-me a testa com ternura e comoção. Se possível, perdoe-me pelas minhas fraquezas e por ser um ser humano cheio de falhas. Releve as minhas lágrimas, pois elas são a força interior de alguém que almeja melhorar a cada dia. Saúde-me e brinde-me na mais pura graça. Premie-me como eu te rogo e te suplico. Sejamos um só corpo e uma só alma. Amém!" Marco Hruschka
sexta-feira, 6 de julho de 2012

Reflexão...

"Já vangloriei muita gente que não merecia o meu reconhecimento. Já idolatrei pessoas que nem sequer me deram atenção. Já coloquei em pedestal joias falsas (e por isso mesmo caíram). Já me enganei demais com o ser humano. Agora não. Ando amadurecendo. Quero preservar as amizades verdadeiras. Valorizar as pessoas que realmente são dignas de um brilho a mais nos olhos de quem as observa. Manter por perto (e lutar para que permaneçam) pessoas realmente especiais. Aquelas que transformam o nosso dia com um sorriso, com uma palavra, com presença. Aquelas que se importam! Um viva às amizades verdadeiras. Quanto às falsas, não nos preocupemos, pois a artificialidade e a efemeridade de uma máscara não é páreo para a vivacidade e a longevidade de um rosto imaculado" Marco Hruschka
segunda-feira, 11 de junho de 2012

Pagando a conta

"Este texto é uma carapuça. Daquelas que costumam servir em muitas pessoas. Vou falar sobre mulheres. Mais especificamente: sobre mulheres que fazem questão de pagar a sua conta no bar, no cinema, no café ou até mesmo no motel, por que não? Você mede o nível de uma mulher quando vai pagar a conta da noite. Mulher madura, mulher com personalidade, mulher decidida faz questão de dividir a conta. É claro que todo homem que se julga cavalheiro quer pagar tudo sozinho, agir conforme a cartilha do rapaz educado. Mas há muito tempo a mulher busca um equilíbrio entre os sexos, fugir do preconceito, do menosprezo. Pois conseguiu. Hoje em dia, mesmo com o pensamento machista impregnado, já se aceita a equiparação entre o masculino e o feminino na maioria das frentes. Mulher de respeito: comece exercendo a sua igualdade no caixa! Atualmente, é muito difícil, sobretudo para o homem que tem dinheiro, saber qual as intenções de sua parceira (dá até impressão de que o jogo mudou, rsrs). Ele não sabe se só querem se aproveitar do conforto que seu dinheiro pode proporcionar ou se a pessoa realmente gosta dele por algum outro motivo. Como é bom quando você vai pagar a conta e a sua companhia faz questão de dividir. Não pelo DINHEIRO em si (pois em alguns casos nem é tanto), mas pela ATITUDE. Demonstra segurança. É indício de caráter. Minhas lindas, se vocês não pagam o que é de vocês, significa que estão sendo compradas, depois querem reclamar de como são chamadas por aí. Vez ou outra, tudo bem. Mas sempre?! Não estou falando de condição, mas de bancar a esperta. Cuidado com a sua imagem. Preserve-a! Fica a dica para aquelas que têm problema de bexiga, que vão ao banheiro justo quando a conta chega. Ou que têm uma mãe muito preocupada, que precisam atender a ligação da pobre coitada bem naquele momento. Ou que disfarçam na maior cara de pau, sem vergonha, sem pudor. Por outro lado, se você pagar pelo que consumiu (ou pelo menos se oferecer para isso), demonstrará um interesse maior e ganhará a confiança do seu parceiro, que, por sua vez, a levará para sair mais vezes, pois sabe que não será explorado. Invista em si e no relacionamento agora e quando adquirir o respeito do outro, provavelmente não precisará gastar mais nada. Nós, homens, adoramos pagar a conta, mas não para qualquer uma. Pode-se comprar quase tudo. O caráter de uma pessoa não!" Marco Hruschka
sexta-feira, 1 de junho de 2012

A natureza do homem e da mulher



"O homem tem uma natureza diferente da mulher. O homem é mais recluso, mais intimista com relação aos seus pensamentos. Às vezes, ele sente vontade de ficar um pouco sozinho, mergulhar em sua profundidade e refletir sobre a vida, sobre seus problemas, buscar soluções e procurar o seu equilíbrio em meio ao silêncio. Ele gosta e precisa disso. Em contrapartida, em geral, a mulher tem uma carência inata que faz com que ela sinta vontade de ter alguém sempre por perto, sentir-se protegida, conversar, expor seus sentimentos e dividir as coisas. Em se tratando de um relacionamento, é preciso que um saiba entender o outro. Mas para isso, há de se abrir mão de algumas coisas. Aí, não se pode confundir amor próprio com egoísmo. As pessoas são indivíduos, seres únicos e ímpares, mesmo quando levam a vida ao lado de outra pessoa. Homem: ouça com atenção! Mulher: o silêncio pode não significar indiferença! Quem ama, precisa, sobretudo, tentar compreender o seu amor" Marco Hruschka
quarta-feira, 23 de maio de 2012

O amor


Olá seguidores do Letra Lírica. Nesta postagem, inauguro algo novo no blog. Vou postar a primeira parte do meu mais novo conto, "Amor". Não sei exatamente se ele terá duas, três ou quatro partes, sei apenas que tenho a ideia completa, mas ainda não o escrevi por inteiro. Segue, então, a primeira parte. Quanto ao resto, afirmo-lhes que em breve postarei a continuação...

O amor

O amor supera todos os tipos de barreiras.  Dir-se-ia mais: supera todos os medos, crenças e pecados. O amor acontece onde menos se espera, sob qualquer circunstância, sob qualquer hipótese. Quando se ama de fato, o amor vira objeto de consumação. Quer-se amar de qualquer jeito, não se importando com possíveis infrações, leis ou mandamentos.
Ricardo era um jovem universitário do terceiro ano do curso de Letras, tinha vinte e quatro anos, era um tanto quanto baixo, geralmente usava barba e gel no cabelo, tinha um nariz um pouco saliente e trabalhava como estagiário na biblioteca central da cidade onde morava. Seu expediente é o que se entende por meio-período. Entrava às oito da manhã e saía à uma hora da tarde, pois, geralmente, não trabalhava aos fins de semana. Quando era dia de encontro do clube de leitura na biblioteca, sempre aos sábados de manhã uma vez a cada dois meses, ele trabalhava até o meio-dia seis dias da semana, deixando de lado, claro está, o domingo. Como estudava à noite, tinha o período da tarde para fazer os trabalhos da faculdade e descansar um pouco antes de pegar o ônibus das dezoito de vinte rumo ao campus. Morava a doze quilômetros da universidade. Em se tratando de uma cidade como a que nos encontramos, pode-se considerar uma distância longa. Na volta, aproveitava o trajeto para ler seus livros prediletos. Nosso personagem tinha um sonho antigo de ser cantor, gosta do bom e velho rock, admira pintura e poesia. De vez em quando, se arrisca a escrever alguma coisa. Como amador, já pintou duas ou três telas. Hoje em dia canta, como hobby, nos churrascos entre amigos.
Certo dia, uma nova funcionária foi contratada pela biblioteca. Ela se chamava Roberta, tinha vinte e um anos e era loira de cabelos encaracolados, encorpada, não muito alta e resolveu encarar esse trabalho porque adorava livros e tinha, entre outras manias, a de organização. Também estudava Letras, mas em uma outra faculdade. Trabalharia período integral, pois, como já mencionado, havia sido contratada, ou seja, efetivada, diferentemente de Ricardo. Sua mãe era muito religiosa e rigorosa, então ela costumava ir à Igreja todos os fins de semana. Também era admiradora da boa arte e leitora assídua de romances.
Roberta foi apresentada formalmente pela diretora a todos os funcionários e estagiários. Ela passou os olhos rapidamente por todo mundo dizendo um “oi” meio tímido. Mas seu olhar voltou a Ricardo, involuntariamente, trazido por um impulso, o qual chamamos de atração. Traçou-se, então, uma linha imaginária que uniu aquelas duas pessoas por uns três segundos. Ambos ficaram sem graça, quebrando, de repente, a magia que pairava entre eles. Em seguida, voltaram ao trabalho, um pensando no outro.
Ricardo estava arrumando as prateleiras de literatura brasileira, no andar inferior do prédio, quando Roberta apareceu. Ele levou um susto, mas tentou disfarçar a forte emoção:
- Oi! – disse ele.
- Olá! – respondeu ela – Sabe o que eu queria saber?! Se temos o livro “Capitu – Memórias Póstumas”. Uma moça quer lê-lo e eu ainda não me acostumei com as sessões, não sei nem se temos e nem onde ficaria, pois não sabemos o nome do autor.
- Ah sim, claro! Vem comigo que eu pego pra você. – respondeu Ricardo, todo envaidecido por poder ajudar tão prontamente.
Penúltima estante da última coluna à esquerda. Ricardo pegou o livro que estava na parte de baixo da prateleira e quando se levantou Roberta estava a menos de um palmo de seu rosto:
- Obrigada! – disse com um sorriso maroto, saindo rapidamente.
 - De... nada. – respondeu ele quase gaguejando, sem poder se mexer.
Naquela noite Ricardo não conseguira dormir direito, ficara pensando se realmente ela precisava daquele livro ou se, por algum motivo, havia preparado minuciosamente aquela situação. De qualquer forma, ele estava abalado e o que realmente importava era o modo como ela havia mexido com seus sentimentos, há algum tempo adormecidos. Ricardo não tem um histórico muito longo de relações amorosas. Na verdade, nunca teve muita sorte para o amor. O turbilhão que o estava incomodando não era totalmente novo para ele, já havia sentido algo parecido antes, porém agora havia uma sensação diferente, uma paixão ao mesmo tempo repentina e avassaladora, talvez. Sim, ele estava muito confuso.
No dia seguinte, acordou ansioso para ir à biblioteca. Perceba que eu tomei o devido cuidado em não dizer “acordou ansioso para ir trabalhar”, o que não é o caso. Aqui, ele queria mesmo era ir ao local de trabalho, pois seu “objeto” de desejo estaria lá. Se conseguiria de fato trabalhar, aí já é uma outra coisa. 

...

Marco Hruschka
quinta-feira, 17 de maio de 2012

Programação Cultural - II Mutirão Artístico Maringaense


Programação Cultural



Fique atento nos horários da semana cultura do 2º Mutirão Artístico Maringaense. De 19 a 26 de Maio no Democráticos Bar, Rua Paranaguá, Nº 78 Zona 07. (Av. Colombo, ao lado do posto de gasolina) Veja os detalhes no Google Map [click aqui]








 Apartir das 17hs

MÚSICA: Rael Toffolo apresentando duas obras eletroacústicas e Ingazeiro representando a cultura nordestina com o seu maracatu
TEATRO: Taaly Segatti "Mundo Moderno" (Chico Anisio) e "Jesus no Xadrez" (Chico Pedrosa), além de poema musicado pelo grupo Cordel de Fogo Encantado.
ESCULTURA: Marcelo Monteiro irá demonstrar algumas técnica da escultura em  tempo real criando peças em miniatura em bastões de giz tipo escolar.
GRAFITE: René Meyring e sua criação visual em tempo real
MESA DE LITERATURA E QUADRINHOS: Damien Campos, Ângela Ramalho e Vera Margutti
CINEMA: curta-metragens de Hygor Zorak
LITERATURA: Exposição permanente dos textos dentro dos menus e nas camisinhas de cerveja com todos os artistas (Alexandre Gaioto, Ângela Ramalho, Cléia Garcia, Damien Campos, Hygor Zorak, Luigi Ricciardi, Marcelo Aires, Marcio Domenes, Marco Hruschka, Miriam Ramalho, Nelson Alexandre, Roberth Fabris, Thays Pretti e Vera Margutti)
FOTOGRAFIA: Exposição fotográfica dos artistas Alessandra Lopes, Amanda Antunes, Ana Luíza Verzola, Bárbara Neves, Carolina Justi, Fernanda Inocente, Hygor Zorak, Isa Angeliotto, Izadora Amaral e Bruna Siena & Venilson Santos.
PINTURA: Exposição das pinturas dos artistas Cristiane Inokuma, Marcos Molinari, Sara Vieira e Wagner Dantas.
MÁSCARAS: Andy Ferrari e sua exposição de máscaras.  







Apartir das 20hs

CINEMA: Curta-metragem do grupo de artistas (Tamires Belluzzi Freitas, Fernanda Eda, Gabriela Petrucci, Karina Azevendo e Patrícia Adrian)
MESA DE LITERATURA E QUADRINHOS: Marcele Aires e Miriam Ramalho. Marcele Aires irá expor seus livros “Que transpõe o halo (poesia, 2010)” e “Ausências em monólogos (ficção, 2011)”.
LITERATURA: Exposição permanente dos textos, poemas e contos dos os artistas Alexandre Gaioto, Ângela Ramalho, Cléia Garcia, Damien Campos, Hygor Zorak, Luigi Ricciardi, Marcelo Aires, Marcio Domenes, Marco Hruschka, Miriam Ramalho, Nelson Alexandre, Roberth Fabris, Thays Pretti e Vera Margutti.
FOTOGRAFIA: Exposição permanente dos trabalhos dos artistas Alessandra Lopes, Amanda Antunes, Ana Luíza Verzola, Bárbara Neves, Carolina Justi, Fernanda Inocente, Hygor Zorak, Isa Angeliotto, Izadora Amaral e Bruna Siena & Venilson Santos.
PINTURA: Exposição permanente com todos dos artistas Cristiane Inokuma, Marcos Molinari, Sara Vieira e Wagner Dantas.
MÁSCARAS: Exposição permanente com Andy Ferrari








Apartir das 20hs

CINEMA: Curta-metragens de Hygor Zorak
MESA DE LITERATURA E QUADRINHO: O quadrinista Diego Jolly irá expor seus trabalhos ao estilo “narrativas gráficas”. O quadrinista Hálisson Júnior da Silva e Cléia Garcia e seus trabalhos em zines, blogs, folder e quadrinhos.
DANÇA: Júnior Paiva irá apresentar uma performance, dança contemporânea, da canção “Imagine” do Jhon Lennon (versão Glee)
MÚSICA: Najara Nogueira
LITERATURA: Exposição permanente dos textos, poemas e contos dos os artistas Alexandre Gaioto, Ângela Ramalho, Cléia Garcia, Damien Campos, Hygor Zorak, Luigi Ricciardi, Marcelo Aires, Marcio Domenes, Marco Hruschka, Miriam Ramalho, Nelson Alexandre, Roberth Fabris, Thays Pretti e Vera Margutti.
FOTOGRAFIA: Exposição permanente dos trabalhos dos artistas Alessandra Lopes, Amanda Antunes, Ana Luíza Verzola, Bárbara Neves, Carolina Justi, Fernanda Inocente, Hygor Zorak, Isa Angeliotto, Izadora Amaral e Bruna Siena & Venilson Santos.
PINTURA: Exposição permanente dos trabalhos dos artistas Cristiane Inokuma, Marcos Molinari, Sara Vieira e Wagner Dantas.
MÁSCARAS: Exposição permanente com Andy Ferrari









Apartir das 20hs

MÚSICA: Contos musicalizados de Dalton Trevisan na performace vocal de Alexandre Gaioto. Damien Campos, violão voz e violoncello, declamando seus poemas e canções.
MESA DE LITERATURA E QUADRINHOS: Exposição dos poemas e textos impressos de Hygor Zorak e Thays Pretti
CINEMA: Curta do grupo de artistas Tamires Belluzzi Freitas, Fernanda Eda, Gabriela Petrucci, Karina Azevendo e Patrícia Adrian.
LITERATURA: Exposição permanente dos trabalhos dos artistas Alexandre Gaioto, Ângela Ramalho, Cléia Garcia, Damien Campos, Hygor Zorak, Luigi Ricciardi, Marcelo Aires, Marcio Domenes, Marco Hruschka, Miriam Ramalho, Nelson Alexandre, Roberth Fabris, Thays Pretti e Vera Margutti.
FOTOGRAFIA: Exposição permanente dos trabalhos dos artistas Alessandra Lopes, Amanda Antunes, Ana Luíza Verzola, Bárbara Neves, Carolina Justi, Fernanda Inocente, Hygor Zorak, Isa Angeliotto, Izadora Amaral e Bruna Siena & Venilson Santos.
PINTURA: Exposição permanente dos trabalhos dos artistas Cristiane Inokuma, Marcos Molinari, Sara Vieira e Wagner Dantas.
MÁSCARAS: Exposição permanente com Andy Ferrari.








Apartir das 20hs

MÚSICA: Paulinho Schoffen
MESA DE LITERATURA E QUADRINHOS: Alexandre Gaioto e Roberth Fabris
CINEMA: Curta-metragens de Hygor Zorak
LITERATURA: Exposição permanente dos trabalhos dos artistas Alexandre Gaioto, Ângela Ramalho, Cléia Garcia, Damien Campos, Hygor Zorak, Luigi Ricciardi, Marcelo Aires, Marcio Domenes, Marco Hruschka, Miriam Ramalho, Nelson Alexandre, Roberth Fabris, Thays Pretti e Vera Margutti.
FOTOGRAFIA: Exposição permanente dos trabalhos dos artistas Alessandra Lopes, Amanda Antunes, Ana Luíza Verzola, Bárbara Neves, Carolina Justi, Fernanda Inocente, Hygor Zorak, Isa Angeliotto, Izadora Amaral e Bruna Siena & Venilson Santos.
PINTURA: Exposição permanente dos trabalhos dos artistas Cristiane Inokuma, Marcos Molinari, Sara Vieira e Wagner Dantas.
MÁSCARAS: Exposição permanente com Andy Ferrari.








 Apartir das 20hs


MÚSICA: Tapa na Macaca e Corda Crua
TEATRO: Taaly Segatti "Mundo Moderno" (Chico Anisio) e "Jesus no Xadrez" (Chico Pedrosa), além de poema musicado pelo grupo Cordel de Fogo Encantado.
MESA DE QUADRINHOS E LITERATURA: Nelson Alexandre e Marco Hruschka
CINEMA: Curta-metragens de Hygor Zorak
LITERATURA: Exposição permanente dos trabalhos dos artistas Alexandre Gaioto, Ângela Ramalho, Cléia Garcia, Damien Campos, Hygor Zorak, Luigi Ricciardi, Marcelo Aires, Marcio Domenes, Marco Hruschka, Miriam Ramalho, Nelson Alexandre, Roberth Fabris, Thays Pretti e Vera Margutti.
FOTOGRAFIA: Exposição permanente dos trabalhos dos artistas Alessandra Lopes, Amanda Antunes, Ana Luíza Verzola, Bárbara Neves, Carolina Justi, Fernanda Inocente, Hygor Zorak, Isa Angeliotto, Izadora Amaral e Bruna Siena & Venilson Santos.
PINTURA: Exposição permanente dos trabalhos dos artistas Cristiane Inokuma, Marcos Molinari, Sara Vieira e Wagner Dantas.
MÁSCARAS: Exposição permanente com Andy Ferrari








Apartir das 17hs

MÚSICA: Rafael Morais e Média Clássica
TEATRO: Taaly Segatti "Mundo Moderno" (Chico Anisio) e "Jesus no Xadrez" (Chico Pedrosa), além de poema musicado pelo grupo Cordel de Fogo Encantado.
MESA DE LITERATURA E QUADRINHOS: Luigi Ricciardi, Márcio Domenes e Luciano Vidal
ESCULTURA: Marcelo Monteiro
DANÇA: Larisse Farias, Dança do Ventre
CINEMA: Curta do grupo de artistas Tamires Belluzzi Freitas, Fernanda Eda, Gabriela Petrucci, Karina Azevendo e Patrícia Adrian.
LITERATURA: Exposição permanente dos trabalhos dos artistas Alexandre Gaioto, Ângela Ramalho, Cléia Garcia, Damien Campos, Hygor Zorak, Luigi Ricciardi, Marcelo Aires, Marcio Domenes, Marco Hruschka, Miriam Ramalho, Nelson Alexandre, Roberth Fabris, Thays Pretti e Vera Margutti)
FOTOGRAFIA: Exposição permanente dos trabalhos dos artistas Alessandra Lopes, Amanda Antunes, Ana Luíza Verzola, Bárbara Neves, Carolina Justi, Fernanda Inocente, Hygor Zorak, Isa Angeliotto, Izadora Amaral e Bruna Siena & Venilson Santos.
PINTURA: Exposição permanente dos trabalhos dos artistas Cristiane Inokuma, Marcos Molinari, Sara Vieira e Wagner Dantas.
MÁSCARAS: Exposição permanente com Andy Ferrari
quarta-feira, 25 de abril de 2012

Os Pecados Capitais na atualidade


"Todos os pecados capitais, sem exceção, são tidos como virtudes nessa sociedade neoliberal corroída pelo afã consumista.
A inveja é estimulada no anúncio da moça que, agora, possui um carro melhor do que o do seu vizinho. A avareza é o mote das cadernetas de poupança. A cobiça inspira todas as peças publicitárias, do Carnaval a bordo no Caribe ao tênis de grife das crianças. O orgulho é sinal de sucesso dos executivos bem-sucedidos, que possuem lindas secretárias e planos de saúde eterna. A preguiça fica por conta das confortáveis sandálias que nos fazem relaxar, cercados de afeto, numa lancha ao sol. A luxúria é marca registrada da maioria dos clipes publicitários, em que jovens esbeltos e garotas esculturais desfrutam uma vida saudável e feliz ao consumirem bebidas, cigarros, roupas e cosméticos. Enfim, a gula subverte a alimentação infantil na forma de chocolates, refrescos, biscoitos e margarinas, induzindo-nos a crer que sabores são prenúncios de amores." Frei Betto


Foto: "Les 7 péchés capitaux", de Jérôme Bosh.
terça-feira, 24 de abril de 2012

Sem hiato


Quando nossos corações
Outrora separados
Individualizados
Tornaram-se união

Fui de mim ao céu
Num repente, sem pensar
E senti calmamente acalentar
Nossos corpos meio ao léu

De minh’alma me separei
E viajei aéreo num instante
Eternamente agraciado, amante
Flutuante e extasiado me encontrei

E continuei, galgando mais e mais
Indo e vindo em movimento compassado
Peles, lençóis, delírio, tudo entrelaçado
A carne é trêmula e os gestos não-vestais

Depois do gozo, amor realizado em ato
Abraço-te ofegante, quase sem respiração
Lábios alterados, sorriso de satisfação
Agora somos um, unidos, sem hiato

Marco Hruschka


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Jantar

‎"Essa vai para as mulheres. Quando um cara te chama para jantar, isso não significa necessariamente que ele está perdidamente apaixonado por você (o que ao meu ver seria bom, não vejo problema nenhum com paixões, acho inclusive que elas são necessárias e bem-vindas). Não significa que ele será um grude, um pé no saco. Significa, muitas vezes, que se trata de um homem mais educado, sensível talvez, que provavelmente sabe conversar e que quer a oportunidade de te conhecer melhor, viver algo a mais do que apenas uma noite de sacanagem. Significa que ele tem a intenção de te respeitar, de te olhar de uma maneira mais atenciosa, diferenciada. Um jantar possibilita momentos de o que eu chamaria de 'intimidade descontraída'. Uma vez a sós, vocês podem conversar sobre o que quiserem, olharem-se como quiserem e depois fazerem o que quiserem. Um jantar é uma oportunidade. Um jantar é um programa para pessoas inteligentes. Em último caso, vocês comeram, conversaram e sacaram se rola ou não rola. Não há nada a perder. Mas a sociedade está transformando as pessoas em máquinas (robôs) de fazer sexo. Sair, beber, transar e, principalmente, esquecer. É a degradação do relacionamento. O fim do amor. Saia para jantar, vá ao cinema, tome um sorvete com alguém! As pessoas são mais do que uma mera aparência entre luzes coloridas. Valorize o ser humano em cada um. Valorize-se." Marco Hruschka
terça-feira, 10 de abril de 2012

Tatuagem


Eu nunca fui fã de poesia por encomenda. É um pouco difícil pra mim escrever sobre alguém sem que a ideia parta naturalmente de mim. Mas um dia uma amiga muito especial, a Pri, me pediu uma poesia e disse que iria tatuá-la em seu corpo. Então resolvi fazer. Em nome de nossa amizade. Em nome do que ela significa pra mim. E o fato de minha poesia estar no corpo dela surge como uma homenagem inesquecível pra mim. Estou muito contente com o resultado. É a arte de Marco Hruschka superando qualquer barreira. Abaixo a poesia na íntegra. Abraços


Tatuagem

Seu nome é Priscila da Mata Brustello
Estonteantemente mulher demais
Insaciável em sua alegria, sempre mais
Seu coração é imensidão, é tão singelo

Sua alma é rara, misto de sentimento e razão
Seu corpo é prazer e euforia delatados
Tentação e libertinagem exalados
Obra delicada, retocada com perfeição

Do louro da lua, cabelos de mel
Pele de oliva nascida em plena madrugada
Curvas sem destino, perdição aventurada
Toda carnívora, devoradora, mulher-babel

Hipnotiza a todos, sereia do mar
Mas seu feitiço é de carisma e de beleza
Conquista o coração de todos, é alteza
E será sempre a rainha por onde passar

Marco Hruschka




PS: Créditos da tatuagem ao Fábio Xuxa.

Achado...

Poema escrito em 04 de outubro de 2009, nunca publicado. Nem mesmo no meu livro de poemas "Tentação", que saiu em abril de 2010. Hoje acabei relendo-o e vi algum sentido nele. Resolvi não só publicar aqui como também mandá-lo para seletiva para sair em Antologia nacional.


Testamento

Ego, ego meu, diga-me:
Há alguém mais sensível do que eu?
O apaixonado pela primavera em flores,
Amante do céu e do arco-íris em cores,
A relva, o orvalho e o luar são meus amores.

Mas não sei o que há debaixo dessa máscara
Que uso para agradar os complacentes,
Se é caráter conturbado ou laica inocência,
Acéfalo primata ou alma em transparência,
Que se exploda esse bando de doentes!

Não me encaixo nessa caixa de Pandora...
Já não sou mais o cretino de outrora!
É preciso uma mudança, vou-me embora,
Pego a estrada ininterrupta, chegou a hora...
Um adeus aos hipócritas, parto, é agora!

Marco Hruschka
sexta-feira, 30 de março de 2012

Mulher madura

"Nada como a companhia de uma mulher madura. Nada como uma conversa com uma mulher madura. As mulheres maduras são assim: seguras! Quando falo "mulher madura" não estou me referindo necessariamente à idade, mas à maneira como a pessoa pensa, se comporta e se impõe diante das situações da vida. A mulher madura não tem medo de ser feliz, ela aposta, pois sabe que a vida é justamente isso, uma grande aposta, uma após a outra. A mulher madura não tem frescuras, pois sabe o que quer. Ela encara com serenidade as adversidades e não perde o rebolado por qualquer besteira. Ela é forte! Ela é forte, confiante e sensata, mas sem perder o sentimentalismo. Se este texto não fez muito sentido para você, querida, ainda precisa amadurecer um pouco mais!" 


Marco Hruschka
sexta-feira, 16 de março de 2012

Qual ARTE te toca mais?

Lanço a pergunta aos seguidores do blog: Qual ARTE te toca mais? Por quê?

Você pode citar a Literatura, a Música, a Pintura, a Dança, a Escultura, o Cinema, a Fotografia, enfim, tudo o que você considera um meio de expressão artística...

Responda e justifique em forma de comentário, deixe a sua contribuição à discussão.

Abraços artísticos.

Marco Hruschka










Foto: "Mona Lisa", de Leonardo Da Vinci, Museu do Louvre, Paris. 
Pintura a óleo sobre madeira de álamo, 77 x 53 cm.

Pai nosso, padrasto alheio

Pai nosso que estais no céu
Padrasto dos pobres e dos enfermos,

Santificado seja o vosso nome
Para que haja sangue em abundância para bebermos,

Venha a nós o vosso reino
Castelo de ilusão esmaecido...

Seja feita a vossa vontade
E a minha? E a tua? Sonho perdido!

Assim na Terra como no céu
Aqui se vive, acolá, abóbada obscura...

O pão nosso de cada dia nos dai hoje
Brindemos à gula e à miséria, prefiro a fartura!

Perdoai-nos as nossas ofensas
Por que nos deste uma língua tão afiada?

Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido
Pois que errar é humano, mas na próxima não garanto nada.

E não nos deixei cair em tentação
Para que temos os cinco sentidos disponíveis?

Mas livrai-nos do mal
Os saborosos pecados terrenos, ou os demônios invisíveis?

Prece extra, para um retorno mais veloz e mais abundo:
Viva o ouro do Vaticano, e a vida nas Áfricas do mundo!

Amém


Marco Hruschka

Poesia publicada no livro "Tentação", 2010.

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Maringá, Paraná, Brazil
Marco Hruschka é natural de Ivaiporã-PR, nascido em 26 de agosto de 1986. Morou toda a sua vida no norte do Paraná: passou a infância em Londrina e desde os 13 anos mora em Maringá. Sempre se interessou em escrever redações na época de colégio, mas descobriu que poderia ser escritor apenas com 21 anos. Influenciado por professores na faculdade – cursou Letras na Universidade Estadual de Maringá – começou escrevendo sonetos decassílabos heroicos, depois versos livres, contos, pensamentos e atualmente dedica-se a um novo projeto: contos eróticos. Seu primeiro poema publicado em livro (Antologia de poetas brasileiros contemporâneos – vol. 49) foi em 2008 e se chama “Carma”. De lá para cá já, entre poemas e contos, já publicou mais de 50, não apenas pela CBJE, mas também em outras antologias. Em 2010 publicou seu primeiro livro solo: “Tentação” (poemas – Editora Scortecci). Em 2014, publicou “No que você está pensando?” (Multifoco Editora), livro de pensamentos e reflexões escrito primordialmente no facebook. É professor de língua francesa e pesquisador literário.

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No que você está pensando?
"A vida é um compromisso inadiável" M. H.
"A cumplicidade é um roçar de pés sob os lençóis da paixão." M.H.

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