Sou a mão do pedinte, em chagas de paixão
Sou o câncer do enfermo a corroer-me a entranha
Sou o moribundo a suplicar pela vida, dor tamanha
O negro escravizado e sem direitos sou eu também
A esposa do marido que a espanca e mais além
Sou o filho que nasce antes do tempo, desfalecido
No descabido tempo que se impõe sem ser pedido
O injustiçado atrás das grades é-me outra vez
Sem futuro, sem consolo, de companhia a escassez
Sou o próprio Deus a castigar e a ser julgado
Por aquele que não teve tanta sorte e tanto agrado
Sou a traição do casal apaixonado
E também o próprio anel retirado e descartado
A deusa Discórdia solta pelo mundo
Semeando a la vontê o seu vírus mais fecundo
O sussurro, o frio, o guia e a passagem
Sou a visita, o hospedeiro e ao mesmo tempo a viagem
Que vem para calar da vida o sofrimento
De uma existência toda em si sem cabimento
Marco Hruschka

3 comentários:
Descrição da vida, infelizmente realidade... Parabéns Marco!!
Perfeito... parabéns!
Sucesso, sucesso e mais sucesso!
Ansiosa pelo segundo livro.
Beijos!
Que lindo!
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